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| Profeta não fazia rir mas fazia pensar |
Souza – que na homenagem que o Bahia prestou ao humorista levou às costas o nome do personagem – destacou-se pelos quatro primeiros gols marcados, a assistência para o tento de Júnior e pela movimentação característica de um autêntico nove. Pela primeira vez com Falcão, o Bahia esteve postado no 4-2-3-1 de início – reforçando a suspeita do blogueiro que esse deva ser o esquema principal do time com os principais jogadores do elenco à disposição. Com Zé Roberto finalmente liberado para atuar desde o primeiro clássico do ano, o técnico lançou um posicionamento diferente do utilizado naquela ocasião. Alinhado com Magno pelo centro e Jones pela direita, Zé atuou com liberdade para infiltrar no ataque, movimentar-se pelo meio e sem preocupar-se com recomposição defensiva. Como atuava em Porto Alegre.
Contando com o bom posicionamento e inspiração de Souza o Bahia tranquilizou a peleja logo no início, abrindo boa vantagem de dois gols. O carioca conhece bem a posição, faz o pivô com maestria permitindo aproximação dos meias e dando opções de passe.Não é como parece um jogador parado. Mas precisa da chegada dos jogadores de trás.
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| Meias com "pés invertidos" abrem corredor para os laterais apoiarem. Zé Roberto já atuou desta forma no Botafogo. |
Interessante também foi a inversão de lado entre os meias extremos, com Jones passando para esquerda e Zé Roberto para direita. Esse posicionamento de meia com pés invertidos facilita a infiltração diagonal e abre espaço para o avanço dos laterais. Como o Itabuna não agredia, Madson e Matheus puderam subir com tranquilidade ainda que apenas o primeiro produzisse algo. Em contrapartida, como o 10 tricolor não acompanhava o ala esquerdo interiorano, algumas vezes o flanco ficou desprotegido o que obrigou Rafael Donato a sair para cobertura, mas sem maiores preocupações.
A fragilidade itabunense acomodou o tricolor e foi possível observar a insatisfação de Falcão antes do fim da primeira etapa. Chamou a atenção de Fahel e Lenine – que deveriam fechar mais o meio e encostar no trio de armação - e orientou Jones, que esteve longe de encantar tecnicamente mas foi aplicado e cumpriu bem sua função tática.
Como diversas vezes neste campeonato, o Esquadrão voltou para a segunda etapa disposto a liquidar o jogo antes dos 15 minutos finais. E assim o fez. Com Magno mais objetivo, distribuindo bem o jogo e movimentando-se com fluidez, as boas combinações ofensivas demoliram qualquer possibilidade de alteração do cenário do jogo. A partir daí, os gols se sucederam e Falcão pode dar ritmo a jogadores como Lulinha e Coelho que serão fundamentais para a sequência da temporada.
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| Formação final no tradicional 4-2-2-2 com Lulinha na meia direita. Boa alternativa para ausência de Gabriel. |
Com a entrada de Junior, o Bahia voltou ao 4-2-2-2 predominante este ano. Com Souza mais desgastado, o diabo loiro passou a ser a referência e o Caveirão passou a atuar mais estático, distribuindo o jogo. Lenine passou a chegar mais ao ataque e após acertar uma bola no travessão pôde marcar também seu gol num dos lances finais da partida.
Num embate fácil, que mostrou a diferença técnica entre as agremiações, ficou a certeza que o Bahia caminha para encontrar outra alternativa de jogo – algo que faltou nas últimas rodadas. Assim como pregava o Profeta de Chico City, a mensagem que ficou para o futuro tricolor foi de esperança e otimismo.
















